sábado, 30 de novembro de 2013
Polícia militarizada
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-policia-militarizada-e-um-resquicio-da-ditadura-6695.html
Neurociência da ética: o estado da arte e as promessas para o futuro
LEIA ISSO. PENSE SE VC APROVA A NEUROCIÊNCIA
evento vídeos
“A neurociência da ética é a área da neuroética que se relaciona ao entendimento dos mecanismos cerebrais que estão envolvidos na cognição moral e em nossas decisões éticas (ou antiéticas) e podemos também defini-la como sendo o campo relativo ao entendimento dos mecanismos cerebrais dos principais comportamentos relacionados a ética e moralidade. Identifico então, e discuto, uma serie de estudos na área da neurociência que foram publicados nos últimos 10 anos e que auxiliam nosso entendimento de comportamentos como altruísmo, generosidade, autoconfiança, confiança, punição altruísta, violência, mentira e preconceito, comportamentos que estão todos relacionados de algum modo a moralidade.”
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Os avanços na investigação do cérebro e a neurociência na última década atraíram o interesse dos militares e representam dilemas éticos sobre o futuro da guerra, diz um artigo publicado pela Public Library of Sciences.
Denis Balibouse/Reuters
As agências de inteligência e de defesa financiam e apoiam muitos estudos na área da neurociência
"Temos em mãos uma história futurista que ocorre no presente, diz Jonathan D. Moreno, do Centro de Biotética, do departamento de História, Sociologia da Ciência da Universidade da Pensilvania, coautor do artigo com Michael Tennison, da Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte.
"Tudo o que aprendemos na última década e continuamos aprendendo a um ritmo acelerado sobre o cérebro é de interesse para quem planeja guerras", acrescentou Moreno. "As agências de inteligência e de defesa financiam e apoiam muitos dos estudos nessa área".
Segundo o artigo, tanto os relatórios do Conselho Nacional de Investigação como a destinação de fundos do Pentágono "revelam o interesse da segurança nacional na neurociência e indicam que os militares estão ansiosos para ver o que podem aproveitar dessa ciência emergente".
Na área da investigação da neurociência cognitiva, a Agência de Projetos de Investigação Avançada do Pentágono (DARPA, na sigla em inglês) recebeu cerca de 240 milhões de dólares no período fiscal 2011, o Exército recebeu 55 milhões, a Marinha 34 milhões e a Força Aérea, 24 milhões.
"O interesse das Forças Armadas no conhecimento, desenvolvimento e aproveitamento da neurociência gera uma tensão na sua relação com a ciência", acrescenta o artigo. "Pode haver um conflito entre as metas de segurança nacional e as metas da ciência", dizem.
Uma das áreas de pesquisa que interessam aos militares, segundo Moreno, é o estímulo das funções cerebrais, tanto para a aprendizagem acelerada dos sistemas e equipamentos, como para a resistência a operações prolongadas sem repouso.
Moreno, autor do livro "Mind Works" (A mente trabalha, em tradução livre), colocou como exemplo "as experiências sobre a interface entre cérebro e máquinas.
"Do ponto de vista da ciência, a investigação e as experiências nos dizem muito sobre o cérebro, mas não têm mostrado muito sobre a comunicação eficaz com os aparelhos", acrescenta.
"A verdade ´q eu dedos, mãos e voz continuam sendo mais eficazes para nos comunicar com os aparelhos dos que o cérebro", diz Moreno. Os operadores dos aviões não tripulados ou robóticos ('drones', em inglês) "continuam usando dedos, mãos, manivelas e botões de controles remotos", disse.
"Talvez algum dia seja possível controlar aparelhos com o pensamento. Mas quando isso for possível, muda a natureza do combate.
Moreno assinalou que tanto "aqueles que trabalham em neurociência como militares são agora mais conscientes do que há cinco anos sobre o rápido avanço da área".
"Para os cientistas esse é um debate ético que remonta ao desenvolvimento de armas nucleares", disse. "é o debate sobre a responsabilidade dos cientistas, mas eles nem sempre podem antecipar qual será o uso da ciência",
"Entre os militares há um debate similar. Alguns consideram uma desonra uso dos 'drones'", conclui.
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O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis divulgou nesta segunda em seu perfil no Facebook imagens do equipamento que espera demonstrar na abertura da Copa de 2014, no dia 12 de junho, em São Paulo.
| Reprodução/Facebook | ||
| Visão frontal do exoesqueleto desenvolvido pelo grupo de pesquisa do neurocientista Miguel Nocolelis |
Trata-se de um exoesqueleto controlado pela mente que deverá ajudar pacientes paralisados por lesões medulares a andar.
As fotos, segundo Nicolelis, foram feitas em Paris. As imagens são de um manequim usando o exoesqueleto. Um vídeo de poucos segundos mostra a perna do manequim fazendo um leve movimento para a frente.
| Reprodução/Facebook | ||
| Visão lateral aparelho, que deverá ser controlado por comandos dados pela mente dos pacientes paralisados |
O aparelho está passando por um teste clínico na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). Dez pacientes com lesões medulares de diversos graus vão usar o exoesqueleto e treinar para dar o pontapé inicial na Copa do Mundo. Desse grupo, quatro devem chegar até a etapa final do teste clínico e um será escolhido para a demonstração na abertura do evento esportivo.
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LEIA ESTE TEXTO QUE APRESENTA AS VANTAGENS DA EXPLORAÇÃO ESPACIAL
Vantagens da Exploração Espacial
A exploração espacial levou a incríveis avanços no conhecimento científico e a numerosas aplicações práticas na nossa vida diária.
O impacto da NASA na nossa vida diária é estrondoso!
A exploração espacial contribuiu decisivamente para o progresso da ciência e da tecnologia que utilizamos no dia-a-dia.
O impacto da NASA na nossa vida diária é estrondoso!
A exploração espacial contribuiu decisivamente para o progresso da ciência e da tecnologia que utilizamos no dia-a-dia.
Escrevi este artigo com 40 tecnologias que utilizamos constantemente e que foram desenvolvidas ou melhoradas devido à exploração espacial.
Vejam cerca de 50 exemplos:
- telemóveis que precisam dos satélites.
- melhores previsões meteorológicas após imagens de satélite.
- GPS – Sistema de Posicionamento Global.
- satélites permitem uma melhor gestão dos recursos naturais.
- satélites salvam vidas, ao encontrar pessoas em perigo em zonas de desastres naturais.
- observação das mudanças climáticas.
- conhecimento do Buraco do Ozono
- conhecimento de várias características naturais da Terra
- maior rapidez na descoberta de coágulos sanguíneos (que provocam tromboses) de modo a salvar vidas.
- tecnologia de imagem utilizada por satélites para monitorizar sistemas na Terra é agora utilizada em hospitais para detectar doenças, tal como máquinas MRI e TAC.
- tecnologia para montar carros.
- óculos de sol com maior resistência aos riscos e que protegem mais eficazmente dos raios ultravioletas.
- novas ligas metálicas (mais fortes que o titânio e bastante maleáveis) para equipamentos médicos e desportivos.
- desenvolvimento de técnicas de controlo de tráfego aéreo.
- novos sistemas de leitura de códigos de barras.
- desenvolvimento de software para detectar terramotos
- criação de medicamentos mais puros no espaço.
- criação de mais e melhores alimentos em ambientes de micro-gravidade.
- desenvolvimento de materiais para salvamento em acidentes de automóveis.
- sinais de emergência e de “Saída” em grande parte dos edifícios públicos.
- mecanismos utilizados para fazer crescer plantas no espaço são hoje utilizados para combater o cancro, diminuir dores crónicas (como artrite e espasmos musculares), e aumentar a circulação sanguínea.
- componentes de satélites são hoje utilizados em dispositivos para inserir insulina no corpo.
- melhorias em aplicações utilizadas em casa como termómetros de infravermelhos.
- melhorias no isolamento térmico.
- roupa que regula a temperatura corporal.
- desenvolvimento da fotografia digital.
- material utilizado pela NASA para navegação e detecção de mísseis serve hoje para aparelhos de dentes transparentes.
- ajuda nas operações de socorro, busca, e regate, após desastres naturais.
- sistemas de tratamento e purificação de água mais eficientes
- desenvolvimento de programação automática nas cozinhas.
- material que aumenta a tracção diminuindo acidentes em estradas, passeios, e campos de jogos.
- tecnologia para controlar a pressão do ar durante o mergulho e ao fazer montanhismo.
- lubrificantes mais eficientes utilizados em automóveis, e em produtos caseiros e desportivos.
- raquetes de ténis e skis mais eficientes.
- etc.
- telemóveis que precisam dos satélites.
- melhores previsões meteorológicas após imagens de satélite.
- GPS – Sistema de Posicionamento Global.
- satélites permitem uma melhor gestão dos recursos naturais.
- satélites salvam vidas, ao encontrar pessoas em perigo em zonas de desastres naturais.
- observação das mudanças climáticas.
- conhecimento do Buraco do Ozono
- conhecimento de várias características naturais da Terra
- maior rapidez na descoberta de coágulos sanguíneos (que provocam tromboses) de modo a salvar vidas.
- tecnologia de imagem utilizada por satélites para monitorizar sistemas na Terra é agora utilizada em hospitais para detectar doenças, tal como máquinas MRI e TAC.
- tecnologia para montar carros.
- óculos de sol com maior resistência aos riscos e que protegem mais eficazmente dos raios ultravioletas.
- novas ligas metálicas (mais fortes que o titânio e bastante maleáveis) para equipamentos médicos e desportivos.
- desenvolvimento de técnicas de controlo de tráfego aéreo.
- novos sistemas de leitura de códigos de barras.
- desenvolvimento de software para detectar terramotos
- criação de medicamentos mais puros no espaço.
- criação de mais e melhores alimentos em ambientes de micro-gravidade.
- desenvolvimento de materiais para salvamento em acidentes de automóveis.
- sinais de emergência e de “Saída” em grande parte dos edifícios públicos.
- mecanismos utilizados para fazer crescer plantas no espaço são hoje utilizados para combater o cancro, diminuir dores crónicas (como artrite e espasmos musculares), e aumentar a circulação sanguínea.
- componentes de satélites são hoje utilizados em dispositivos para inserir insulina no corpo.
- melhorias em aplicações utilizadas em casa como termómetros de infravermelhos.
- melhorias no isolamento térmico.
- roupa que regula a temperatura corporal.
- desenvolvimento da fotografia digital.
- material utilizado pela NASA para navegação e detecção de mísseis serve hoje para aparelhos de dentes transparentes.
- ajuda nas operações de socorro, busca, e regate, após desastres naturais.
- sistemas de tratamento e purificação de água mais eficientes
- desenvolvimento de programação automática nas cozinhas.
- material que aumenta a tracção diminuindo acidentes em estradas, passeios, e campos de jogos.
- tecnologia para controlar a pressão do ar durante o mergulho e ao fazer montanhismo.
- lubrificantes mais eficientes utilizados em automóveis, e em produtos caseiros e desportivos.
- raquetes de ténis e skis mais eficientes.
- etc.
As missões Apollo em particular levaram a várias aplicações na nossa vida diária:
- fornos micro-ondas desenvolvidos para os astronautas.
- sapatilhas (da Nike, Adidas, etc) que utilizam materiais que foram desenvolvidos para os fatos espaciais americanos e que reduzem a fadiga, absorvem o impacto no solo, promovem a estabilidade, e são bastante flexíveis.
- estruturas (tal como o tecto de estádios de futebol) que utilizam materiais desenvolvidos para os fatos dos astronautas das missões Apollo.
- lasers na medicina que vieram de um desenvolvimento para a medicina espacial.
- desenvolvimento de melhor equipamento cardíaco.
- computadores com menor massa, menor volume, menor peso, maior mobilidade, maior capacidade, maior rapidez de processamento, e um consumo mais eficaz foram desenvolvidos pela NASA para as missões Apollo.
- sistemas de reciclagem de ar e água que deram origem a máquinas de diálise.
- ajuda no desenvolvimento de circuitos integrados (que levaram ao microchip existente nos computadores) com o objectivo de levar os astronautas à Lua.
- as placas térmicas no módulo de comando das Missões Apollo permitiram criar materiais que retardam e resistem ao fogo e que são hoje instalados nas nossas casas e automóveis.
- pneus mais eficientes nos automóveis actuais a partir dos carros lunares.
- o software utilizado nas cápsulas espaciais é um percursor das máquinas Multibanco existentes nas lojas
- os fatos utilizados pelos astronautas tinham componentes que hoje são utilizados nos fatos dos bombeiros e de pilotos de carros de corrida (F1, NASCAR, Rali, e Todo-terreno) para proteger do fogo, para reduzir a fadiga, e para aumentar a mobilidade.
- os métodos de esterilização das sondas e cápsulas espaciais permitem agora detectar terrorismo biológico (por exemplo, detectam antrax).
- a “comida de astronauta” levou ao desenvolvimento de ingredientes nutricionais que são hoje utilizados em produtos alimentares para bebés e crianças.
- desenvolvimento de máquinas de exercício físico no espaço que são actualmente utilizadas em clínicas de reabilitação física.
- etc.
- fornos micro-ondas desenvolvidos para os astronautas.
- sapatilhas (da Nike, Adidas, etc) que utilizam materiais que foram desenvolvidos para os fatos espaciais americanos e que reduzem a fadiga, absorvem o impacto no solo, promovem a estabilidade, e são bastante flexíveis.
- estruturas (tal como o tecto de estádios de futebol) que utilizam materiais desenvolvidos para os fatos dos astronautas das missões Apollo.
- lasers na medicina que vieram de um desenvolvimento para a medicina espacial.
- desenvolvimento de melhor equipamento cardíaco.
- computadores com menor massa, menor volume, menor peso, maior mobilidade, maior capacidade, maior rapidez de processamento, e um consumo mais eficaz foram desenvolvidos pela NASA para as missões Apollo.
- sistemas de reciclagem de ar e água que deram origem a máquinas de diálise.
- ajuda no desenvolvimento de circuitos integrados (que levaram ao microchip existente nos computadores) com o objectivo de levar os astronautas à Lua.
- as placas térmicas no módulo de comando das Missões Apollo permitiram criar materiais que retardam e resistem ao fogo e que são hoje instalados nas nossas casas e automóveis.
- pneus mais eficientes nos automóveis actuais a partir dos carros lunares.
- o software utilizado nas cápsulas espaciais é um percursor das máquinas Multibanco existentes nas lojas
- os fatos utilizados pelos astronautas tinham componentes que hoje são utilizados nos fatos dos bombeiros e de pilotos de carros de corrida (F1, NASCAR, Rali, e Todo-terreno) para proteger do fogo, para reduzir a fadiga, e para aumentar a mobilidade.
- os métodos de esterilização das sondas e cápsulas espaciais permitem agora detectar terrorismo biológico (por exemplo, detectam antrax).
- a “comida de astronauta” levou ao desenvolvimento de ingredientes nutricionais que são hoje utilizados em produtos alimentares para bebés e crianças.
- desenvolvimento de máquinas de exercício físico no espaço que são actualmente utilizadas em clínicas de reabilitação física.
- etc.
Vejam aqui mais alguns exemplos de tecnologias do nosso dia-a-dia, que foram desenvolvidos para as missões Apollo.
Como diz a Visão História nº 5, na página 40:
“Muitos objectos que hoje são de uso corrente nasceram das necessidades do programa espacial. A vida na Terra estaria bem menos facilitada se não fosse tão complicada a sobrevivência lá em cima. As rigorosas condições que enfrentavam os astronautas da missão Apollo obrigaram ao desenvolvimento de equipamentos sofisticados e inovadores. Ainda hoje, a exploração espacial continua a ser um dos principais motores de inovação tecnológica.”
“Muitos objectos que hoje são de uso corrente nasceram das necessidades do programa espacial. A vida na Terra estaria bem menos facilitada se não fosse tão complicada a sobrevivência lá em cima. As rigorosas condições que enfrentavam os astronautas da missão Apollo obrigaram ao desenvolvimento de equipamentos sofisticados e inovadores. Ainda hoje, a exploração espacial continua a ser um dos principais motores de inovação tecnológica.”
E não esquecer que a exploração espacial também contribuiu para o avanço natural no conhecimento humano!
E para a exploração e curiosidade, que são caracteristicas que nos fazem humanos!
E para a exploração e curiosidade, que são caracteristicas que nos fazem humanos!
Convido-vos a ler este artigo da Nancy Atkinson sobre quanto do espaço está ligado aos Jogos Olímpicos de Beijing:
- sapatilhas.
- fatos de natação (o LZR).
- melhorias no Google Earth da área de Beijing.
- etc.
- sapatilhas.
- fatos de natação (o LZR).
- melhorias no Google Earth da área de Beijing.
- etc.
Este site tem mais alguns exemplos sobre as Vantagens da Exploração Espacial no dia-a-dia.
Nesta página, vêem mais 8 tecnologias derivadas da exploração espacial.
Nesta página têm os spinoff da NASA.
Este site tem mais 13 exemplos:
- detector de fumo.
- a ferramenta eléctrica Black & Decker.
- fato de natação.
- aparelho dentário.
- óculos de esqui.
- termómetro.
- canetas espaciais.
- botas e luvas térmicas.
- cameras de filmar portáteis.
- computadores pequenos e calculadoras de bolso.
- cartões Multibanco.
- melhores guitarras.
- aperfeiçoamento de perfumes.
- detector de fumo.
- a ferramenta eléctrica Black & Decker.
- fato de natação.
- aparelho dentário.
- óculos de esqui.
- termómetro.
- canetas espaciais.
- botas e luvas térmicas.
- cameras de filmar portáteis.
- computadores pequenos e calculadoras de bolso.
- cartões Multibanco.
- melhores guitarras.
- aperfeiçoamento de perfumes.
O site da NASA tem centenas de exemplos do quanto daquilo que temos em casa e na nossa cidade foi desenvolvido com base em descobertas espaciais ou com o objectivo de ir ao espaço.
Para quem diz que a exploração espacial é um desperdício de tempo e dinheiro, a resposta está no NASA@Home e NASA City.
Têm também no Spinoff da NASA.
O impacto na nossa vida diária é estrondoso!
Visitem o site, clicando aqui.
Para quem diz que a exploração espacial é um desperdício de tempo e dinheiro, a resposta está no NASA@Home e NASA City.
Têm também no Spinoff da NASA.
O impacto na nossa vida diária é estrondoso!
Visitem o site, clicando aqui.
Mesmo a série de ficção científica espacial Star Trek, ajudou a desenvolver várias tecnologias de ponta que utilizamos actualmente, como podem ler, clicando aqui.
E isto é só uma pequena parte de todas as vantagens possíveis com a exploração espacial!
Mas ainda há quem não perceba essas vantagens, e só olhe para o umbigo terrestre…
Mas ainda há quem não perceba essas vantagens, e só olhe para o umbigo terrestre…
eSCREVA UMA CARTA A JACQUES HENNO, ABORDANDO A POSTURA DELE EM RELAÇÃO À NECESSIDADE DA ESPIONAGEM , VIA INTERNET
Antes de se deitar é preciso olhar embaixo da cama, desligar o sinal Wifi e fechar todos os acessosà internet da casa. A última leva de informações sobre a espionagem norte-americana atravessa uma nova fronteira da violação da privacidade. O jornal The New York Timesrevelou que Washington corrompeu toda a tecnologia que protege a internet para acentuar a espionagem. Por meio da Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA), os Estados Unidos roubaram chaves de segurança, alteraram programas e computadores e forçaram certas empresas a colaborar com o objetivo de ter acesso a comunicações privadas, tanto dentro como fora do território norte-americano. A NSA não respeitou limite algum: correios eletrônicos, compras na internet, rede VPN, conexões de alta segurança (o famoso SSL), acesso aos serviços de telefonia da Microsoft, Facebook, Yahoo e Google, a lista dos novos territórios de caça é interminável.
Segundo o diário norte-americano, a NSA gasta mais de 250 milhões de dólares anuais em um programa chamado Sigint Enabling cuja meta consiste em modificar a composição de certos produtos comerciais – computadores, chips, telefones celulares – para torná-los vulneráveis, ou seja, acessíveis aos ouvidos da NSA. A isto se somam as informações publicadas por WikiLeaks sobre 80 empresas privadas que se servem das novas tecnologias para captar (espionar) em tempo real os intercâmbios no Facebook, MSN, Google Talk etc. Estamos na mais perfeita intempérie tecnológica de maneira permanente sem que a vítima tenha a menor consciência disso. Um crime perfeito.
Em entrevista à agência Carta Maior, o pesquisador e especialista de novas tecnologias Jacques Henno analisa todos estes abusos e tendências que se inscrevem em uma nova era marcada pelo nascimento de um lobby entre os militares, a informática, os dados e os arquivos. Henno publicou vários livros que anteciparam de maneira detalhada e rigorosa as informações divulgadas pelo ex-analista da CIA e da NSA, Edward Snowden: estamos todos vigiados. Silicon Valley: Prédateurs Vallée? (Silicon Valley, o vale dos predadores?) e Tous Fichés: l’incroyable projet américain por d’éjouer les atentas terroristes (Estamos todos arquivados: o incrível projeto americano para evitar os atentados terroristas) exploram com muita lucidez um mundo de espionagem e violação dos direitos que, até algumas semanas, parecia produto de uma imaginação paranoica. As investigações de Jacques Henno demonstraram que não. As revelações de Snowden provaram que o especialista francês tinha razão.jacques Henno– É preciso lembrar que a informática ao serviço do totalitarismo existe desde os anos 40. Durante a Segunda Guerra Mundial, se os campos de extermínio nazistas foram tão eficazes foi porque os alemães usaram as máquinas IBM que funcionavam com os cartões perfurados para contabilizar todas as pessoas. De modo similar, o Plano Condor, que funcionou entre as ditaduras da América Latina para perseguir os opositores, foi montado com o suporte de computadores vendidos pelos norte-americanos para as ditaduras da América do Sul. Estes computadores serviam para fichar os opositores.
Quando e como nasceu a espionagem moderna tal como está se revelando hoje?
Jacques Henno– Tudo isso nasce com um programa chamado TIA, Total Information Awareness. Após os atentados de 11 de setembro de 2011, os norte-americanos trataram de encontrar tecnologias capazes de prevenir este tipo de atentados. Rapidamente se deram conta de que tinham nas mãos todas as informações necessárias. Por exemplo, os terroristas que cometeram os atentados do 11 de setembro tinham sido identificados antes, quando andaram de avião, ou quando dois deles se inscreveram em escolas de pilotagem de aviões. Tinham até fotos deles sacando dinheiro de um caixa automático. No entanto, o que faltava era a metodologia para unir todos esses arquivos e informações. Neste processo, entraram em ação empresas que foram ao governo norte-americano dizer: “Nós trabalhamos com arquivos e podemos ajudá-los a prevenir atentados.” Assim nasceu o sistema de vigilância completa, Total Information Awareness, ITA, capaz de criar arquivos sobre qualquer pessoa no mundo, sobre todos os habitantes do planeta, a fim de ter um máximo de informações sobre cada pessoa e, assim, descobrir sinais de preparação de atentados terroristas. A Acxiom, por exemplo, é uma destas empresas. Ela é totalmente desconhecida para o grande público, mas é uma das empresas que detém o maior de arquivos sobre os consumidores do mundo. A cada ano, realiza pesquisas sobre a comida que damos aos gatos, o tipo de papel higiênico que utilizamos ou os livros que lemos. Na França, a Comissão Nacional de Informática e Liberdades (CNIL) se opôs várias vezes às pesquisas da Acxiom.
Leipermite ao governo requisitar dados que julgar necessários
Essa tecnologia deu lugar ao nascimento de uma espécie de mega-sistema de cálculo matemático que cria perfis segundo uma série aparentemente racional de informações.
Jacques Henno– Exatamente. Por exemplo, logo depois dos atentados em Londres se descobriu que os terroristas preparavam os atentados comprando antes refrigeradores de grande capacidade para armazenar os explosivos. Com base nisso, agora, quem compra congeladores de grande capacidade torna-se suspeito e, por conseguinte, é fichado e vigiado. O mesmo ocorre com os aviões. Se alguém embarca em um avião rumo aos Estados Unidos e viaja pela primeira vez em classe executiva ou primeira classe também passa a ser vigiado. Os assentos de primeira classe são muito controlados porque estão mais perto da cabine dos pilotos. Então, se alguém compra uma passagem nesta classe e, segundo o resumo dos gastos do cartão de crédito, essa pessoa não tem os meios para pagar um bilhete a esse preço, automaticamente estará sob vigilância. Em resumo, os norte-americanos exploram todas as informações que obtém de uma pessoa. Eles são, ao mesmo tempo, paranoicos e amantes da tecnologia. Paranoicos porque há muito tempo vivem armados. E amantes da tecnologia porque, cada vez que há um problema tratam de encontrar uma solução técnica e não forçosamente social ou econômica.
O curioso é que boa parte desses dados utilizados pela NSA foram entregues voluntariamente pelos usuários.
Jacques Henno– Claro. Quando nos inscrevemos no portal de uma empresa norte-americana, Yahoo, Microsoft, Google ou outras, não lemos até o final as condições de utilização. No entanto, se prestarmos atenção veremos que ali é dito textualmente: “Autorizo o armazenamento destas informações no território norte-americano”. Agora, se os dados que confiamos a Yahoo, Microsoft, Amazon, Facebook ou Google estão armazenados no território norte-americano, eles estão regidos pelo direito norte-americano. A lei votada depois dos atentados de 11 de setembro, o Patriot Act, permite a qualquer governo norte-americano requisitar os arquivos e dados que julgar necessários. Os dados que entregamos a essas empresas vão parar na NSA.
Um fichamento sexual, ideológico, político e religioso
Há uma mudança fundamental na regra da constituição dos lobbies que atuam nos Estados Unidos. O lobby da defesa mudou de perfil com as tecnologias da informação.
Jacques Henno– Sim. Antes se falava de um lobby militar-industrial. Havia, de fato, uma conjunção entre a indústria e os militares. Agora não. O lobby atual é entre os especialistas nestes arquivos, os técnicos em informática e os militares. Não somos conscientes da quantidade de informações privadas que fornecemos a cada dia aos operadores privados da internet. Por exemplo, no Facebook se publicam a cada dia 350 milhões de fotos. Ao cabo de dez dias, há 3,5 bilhões de fotos e em cem dias, 35 bilhões. O Facebook é hoje a maior base de imagens do mundo. É uma incrível quantidade de informações que fornecemos. O Google, por exemplo, é capaz de prevenir a epidemia de gripes no mundo só calculando a quantidade de pessoas que, em um determinado lugar, busca informação sobre os sintomas da gripe e como curá-la. Além disso, os custos desta tecnologia, de armazenamento, memória ou microprocessadores, são cada vez mais baixos. A NSA é perfeitamente capaz de armazenar todas essas informações e analisá-las com programas especializados, incluindo os e-mails que enviamos e recebemos.
Como você demonstra em seu livro Sillicon Valley, vale dos predadores?, tanto a espionagem como o dinheiro que Google ou Facebook ganham na internet provém de nossa... digamos, inocência.
Jacques Henno– O Vale do Silício é o vale do Big Data. Empresas como Google ou Facebook vivem dos dados que nós fornecemos. Com eles, tratam de saber quais são nossos centros de interesse e, a partir daí, nos enviam publicidades que correspondem a nosso perfil. Um portal como o Facebook vive da publicidade e fará todo o possível para saber mais coisas sobre nós e nossos amigos, para incitar-nos a publicar mais e mais coisas sobre nós. Uma vez obtidos esses dados, o que fazem é materializar essas informações sob a forma de publicidades. A essas empresas só interessam nossos dados, nossas informações, querem ampliar o campo da vida privada. Na verdade, não querem que o que dizemos pertença ao campo da vida privada, mas sim ao da vida pública. O Facebook é capaz de identificar e classificar as pessoas em função de suas preferências por determinadas práticas sexuais ou por certas drogas. Isso é muito perigoso porque, em alguns países, há práticas sexuais que estão proibidas. Por conseguinte, a esses regimes políticos basta ir ao Facebook, fazer uma busca por idade, diplomas, zonas geográficas e práticas sexuais para encontrar as pessoas que queiram. Qualquer regime político tem acesso a todas essas informações. Em resumo, assistimos a um fichamento sexual, ideológico, político e religioso.
Exércitos da Europa dependem de informações dos EUA
A Europa, neste terreno, é um mero aliado sem influência, um cliente menor. O que ocorreu com os europeus que ficaram dormindo, sem capacidade tecnológica alguma?
Jacques Henno– O império norte-americano utiliza as rotas da informação para captar as informações a fim de garantir sua segurança e, também, para a espionagem econômica ou industrial. E nós, como europeus, estamos na periferia do império norte-americano e, além disso, enviamos informações para ele. Fomos incapazes de criar o equivalente do Google, Facebook ou Apple para conservar essas informações na Europa. Todas as informações que os europeus produzem transitam pelos Estados Unidos. O império norte-americano controla 80% de tudo o que passa através da internet no mundo. Imagine! O Google conta com mais de um bilhão de usuários no mundo. E toda a informação produzida por esse bilhão de usuários passa pelos Estados Unidos. No plano militar ocorre o mesmo. Quando a França lançou a ofensiva contra os militantes islâmicos radicais em Mali teve que pedir respaldo norte-americano. Os Estados Unidos forneceram a França informação, radares e drones. Os exércitos da Europa dependem hoje das informações fornecidas pelos Estados Unidos. Os únicos que conseguiram desenvolver algumas tecnologias próprias são os chineses.
***
Eduardo Febbro, da agência Carta Maior, em Paris
Escreva uma dissertação em prosa na qual você analise a ação dos Black Blocs.
a QUESTÃO É essa: quem expulsou o povo das ruas? Por que razão evaporou-se aquela vontade de manifestar-se que levou tanta gente às ruas do país em junho e julho para dizer o que sentia? Foi a repressão policial ou a violência dos Black Blocs a responsável pela repentina virada de página?
Como sempre, nossa mídia tem pressa em colocar o ponto final nos debates, não gosta de esticar as controvérsias, aparentemente com receio de dar voz àqueles dos quais discorda.
A legitimidade da violência política vem sendo discutida há 300 anos e não apenas nas assembleias, academias e também na literatura. Os possessos, de Fiódor Dostoiévski, vale para os dias de hoje. O anarquismo e o niilismo precisam ser atualizados, caso contrário transformam-se em equívocos.
Se a imprensa não discute os fenômenos gerados pela realidade mutante, quem o fará? E por que ninguém lembra das façanhas dos heróis da não-violência? O Mahatma Gandhi, o pastor Martin Luther King e o seringueiro Chico Mendes nunca pregaram quebra-quebras. É verdade: foram covardemente assassinados, mas mudaram o mundo.
Os Black Blocs conseguirão algo semelhante? a dINES.
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Mascarados e vestidos de preto, os adeptos da tática de protesto Black Bloc protagonizaram inúmeras cenas de baderna nas últimas semanas. Depredação do patrimônio público, ataques a instituições privadas e confronto com as forças de segurança marcam a atuação desses jovens autodenominados anarquistas. Minguou a grande massa pacífica de brasileiros que foi às ruas pedindo mudanças na agenda política do país e o combate à corrupção, e agora os Black Blocs dominam o noticiário sobre os protestos.
A tática de protesto Black Bloc surgiu nos anos 1980, na Alemanha, e cresceu com as mobilizações contra o neoliberalismo e o capitalismo da década seguinte. Com a popularização da internet, ferramenta essencial para a mobilização dos manifestantes, e a crescente insatisfação com a economia, o grupo ganhou força.
Os Black Bloc não têm uma pauta de reivindicações única. Sua atuação é restrita às ruas e não há canal de diálogo com os governos. De acordo com a página do Black Bloc no Facebook, existem vários grupos, com diferentes táticas, que atuam em manifestações para questionar o “sistema vigente”. Repórteres, cinegrafistas e fotógrafos que cobrem os protestos são constantemente hostilizados por manifestantes radicais e também pela polícia. Nos protestos do Sete de Setembro, um jornalista da Globonews que cobria o evento com um telefone celular foi agredido. Em uma tentativa de conter a agressividade dos Black Blocs, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei que proíbe encobrir o rosto em atos públicos. O Observatório da Imprensa exibido ao vivo pela TV Brasil na terça-feira (17/9) discutiu a relação da mídia com os Black Blocs.
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Black Bloc e democracia
Reduzir a conduta dos black blocs à sua dimensão jurídica de ilicitude significa tratar toda desobediência civil como mero ato de bandidagem. Mas, no momento, seus resultados são fascistas e precisam ser repensados
Entretanto, não há como deixar de observar na história do regime democrático no mundo que este evoluiu em termos de ampliação da garantia de direitos, por meio de rupturas desta mesma ordem jurídica.
Do voto feminino e universal aos direitos sociais, todas foram conquistas obtidas por rupturas populares da ordem que fizeram evoluir a democracia burguesa do fim do século XVIII para a democracia universal, representativa e com elementos de democracia direta, do mundo ocidental contemporâneo.
De instrumento puro de dominação, a democracia transmutou-se em veículo possível de transformações libertárias e sociais.
Em verdade há de se constatar que a evolução democrática guarda com sua ordem jurídica uma relação complexa e contraditória. Demanda sua observância e sua não observância concomitantemente
Se a conduta humana de servidão à uma determinada ordem jurídica pode ser observada com relativa objetividade pela incidência da lei sobre o fato, o mesmo não ocorre com sua desobediência. Essa sempre é ilícita.
Se reduzida sua avaliação ao mero exame de sua legalidade, se perderá, no plano político, a exata compreensão de sua complexidade, cabendo lembrar que compreender não é aceitar.
No plano político, a desobediência civil pode sim ser avaliada sob o ponto de vista democrático. Será contributiva à evolução do regime democrático se implicar ampliação de direitos das pessoas, dos grupos sociais e da sociedade como um todo, difusamente considerada.
Como ocorre no âmbito politico, e não deôntico, a ação de desobediência deve ser tida em seu resultado concreto para a vida social e das pessoas.
Por evidente, o poder constituído sempre tenderá a tratar atos de desobediência civil como meros atos de banditismo comum, desconhecendo seu móvel, propósito e resultado político.
Se muitas vezes no plano jurídico a intenção política pouco influencia o juízo de legalidade da conduta, no plano ético-político influenciará muito o juízo de sua legitimidade.
O ato político, mesmo quando violento, mesmo quando inaceitável, é provido de uma pretensão de correção própria da crença política. Por mais equivocado que seja, pretende alguma forma que supõe ser de bem comum. Nesse sentido, se diferencia no plano ético-político do ato de bandidagem.
O poder constituído sempre busca subtrair do ato de desobediência o substrato político para esvaziar sua legitimidade. Muitas vezes logrará êxito pela ausência de legitimidade real e de apoio social a sua prática, ocorrente, às vezes, pela inobservância no ato de desobediência de valores morais universais caracterizadores de um dado processo civilizatório. Outras vezes, por perda da batalha comunicativa, outras ainda por repressão bruta, mas eficaz.
Assim ao avaliarmos os atos violentos de desobediência civil praticados pelo black bloc, não devemos nos ater à dimensão jurídica. Juridicamente, não há duvida. É crime depredar propriedade alheia e muito mais grave a ilicitude quando implica violência física contra agente policial.
O papel jurídico do poder constituído é reprimir tal conduta e submeter seus agentes ao devido processo legal para sua punição.
Na analise política da conduta e de sua legitimidade democrática, o tema é mais complexo. Ocorre que, no plano estritamente político, há em todo ato de desobediência um potencial constituinte, uma nova ordem no broto, que poderá florescer para o bem ou para o mal da sociedade e do regime democrático.
Será verdadeiramente constituinte na perspectiva democrática, se resultar na ampliação de direitos. Será autoritária, se objetivar e resultar na redução de direitos, implicando a realização de valores de exceção em detrimento de valores de direito.
Neste sentido, não há que se reduzir a análise política da conduta dos black blocs à sua dimensão jurídica de ilicitude. Isso significa tratar toda desobediência civil, “a priori” e sem qualquer juízo político mais complexo, como mero ato de bandidagem.
Tal análise reducionista tem como função fortalecer o elemento imperial do poder constituído, ressaltar a ordem em detrimento dos direitos das pessoas. Não é por aí que se deve criticar as condutas recentes dos black blocs.
No plano político, os atos de violência extrema dos black blocs se iniciaram por meros ataques a propriedades símbolos do sistema capitalista, mas acabaram se convertendo em atos de violência contra um ser humano especifico, que por mais que porte um uniforme não pode ser subtraído de sua condição humana.
Um movimento verdadeiramente libertário pode ter como inimigo o Estado, mas nunca um ser humano especifico, ainda que agente deste Estado. Se não agir assim, perde em termos de ganho civilizatório, pondo-se no mesmo papel do fascismo e outras formas de retrocesso da civilização democrática.
Quem adota valores democráticos repudia, no interior do jogo democrático, agressões a pessoas. A violência neste caso não pode ser tida como legítima defesa contra o Estado.
Se esse Estado tem estrutura de legalidade democrática, a violência contra pessoas não pode ser tida como forma de reação legitima, pois perde em proporcionalidade ética.
Quando esta violência extrema é praticada por um punhado de pessoas, comprometendo a imagem de um movimento social mais amplo face a maioria da população, estes atos servem mais ao poder constituído em sua sanha de criminalizar a oposição social do que a qualquer conquista libertária pretendida.
O risco do agente de um ato político de desobediência civil numa sociedade democrática é esse mesmo: ser julgado por seus resultados e não por suas intenções subjetivas. Esse é um juízo político legítimo, pois nem toda desobediência é libertaria. Em especial, quando praticada no interior de um sistema de legalidade minimamente democrática.
Como resultado da conduta recente dos black bloc, temos a ampliação da legitimidade social de atos de repressão contra o movimento social. Tratou-se portanto de um movimento de desobediência redutor de direitos e ampliador da potência repressiva do Estado.
Pouco importam as intenções políticas desse movimento de desobediência, se anarquista socialista, anarco-capitalista ou de direita. Seus resultados são fascistas. Assim se tornaram. Que seus agentes repensem criticamente seu caminho, em favor da cidadania, dos movimentos sociais e das liberdades humanas em nosso pais.
registrado em: Black Blocs violência
Reduzir a conduta dos black blocs à sua dimensão jurídica de ilicitude significa tratar toda desobediência civil como mero ato de bandidagem. Mas, no momento, seus resultados são fascistas e precisam ser repensados
Entretanto, não há como deixar de observar na história do regime democrático no mundo que este evoluiu em termos de ampliação da garantia de direitos, por meio de rupturas desta mesma ordem jurídica.
Do voto feminino e universal aos direitos sociais, todas foram conquistas obtidas por rupturas populares da ordem que fizeram evoluir a democracia burguesa do fim do século XVIII para a democracia universal, representativa e com elementos de democracia direta, do mundo ocidental contemporâneo.
De instrumento puro de dominação, a democracia transmutou-se em veículo possível de transformações libertárias e sociais.
Em verdade há de se constatar que a evolução democrática guarda com sua ordem jurídica uma relação complexa e contraditória. Demanda sua observância e sua não observância concomitantemente
Se a conduta humana de servidão à uma determinada ordem jurídica pode ser observada com relativa objetividade pela incidência da lei sobre o fato, o mesmo não ocorre com sua desobediência. Essa sempre é ilícita.
Se reduzida sua avaliação ao mero exame de sua legalidade, se perderá, no plano político, a exata compreensão de sua complexidade, cabendo lembrar que compreender não é aceitar.
No plano político, a desobediência civil pode sim ser avaliada sob o ponto de vista democrático. Será contributiva à evolução do regime democrático se implicar ampliação de direitos das pessoas, dos grupos sociais e da sociedade como um todo, difusamente considerada.
Como ocorre no âmbito politico, e não deôntico, a ação de desobediência deve ser tida em seu resultado concreto para a vida social e das pessoas.
Por evidente, o poder constituído sempre tenderá a tratar atos de desobediência civil como meros atos de banditismo comum, desconhecendo seu móvel, propósito e resultado político.
Se muitas vezes no plano jurídico a intenção política pouco influencia o juízo de legalidade da conduta, no plano ético-político influenciará muito o juízo de sua legitimidade.
O ato político, mesmo quando violento, mesmo quando inaceitável, é provido de uma pretensão de correção própria da crença política. Por mais equivocado que seja, pretende alguma forma que supõe ser de bem comum. Nesse sentido, se diferencia no plano ético-político do ato de bandidagem.
O poder constituído sempre busca subtrair do ato de desobediência o substrato político para esvaziar sua legitimidade. Muitas vezes logrará êxito pela ausência de legitimidade real e de apoio social a sua prática, ocorrente, às vezes, pela inobservância no ato de desobediência de valores morais universais caracterizadores de um dado processo civilizatório. Outras vezes, por perda da batalha comunicativa, outras ainda por repressão bruta, mas eficaz.
Assim ao avaliarmos os atos violentos de desobediência civil praticados pelo black bloc, não devemos nos ater à dimensão jurídica. Juridicamente, não há duvida. É crime depredar propriedade alheia e muito mais grave a ilicitude quando implica violência física contra agente policial.
O papel jurídico do poder constituído é reprimir tal conduta e submeter seus agentes ao devido processo legal para sua punição.
Na analise política da conduta e de sua legitimidade democrática, o tema é mais complexo. Ocorre que, no plano estritamente político, há em todo ato de desobediência um potencial constituinte, uma nova ordem no broto, que poderá florescer para o bem ou para o mal da sociedade e do regime democrático.
Será verdadeiramente constituinte na perspectiva democrática, se resultar na ampliação de direitos. Será autoritária, se objetivar e resultar na redução de direitos, implicando a realização de valores de exceção em detrimento de valores de direito.
Neste sentido, não há que se reduzir a análise política da conduta dos black blocs à sua dimensão jurídica de ilicitude. Isso significa tratar toda desobediência civil, “a priori” e sem qualquer juízo político mais complexo, como mero ato de bandidagem.
Tal análise reducionista tem como função fortalecer o elemento imperial do poder constituído, ressaltar a ordem em detrimento dos direitos das pessoas. Não é por aí que se deve criticar as condutas recentes dos black blocs.
No plano político, os atos de violência extrema dos black blocs se iniciaram por meros ataques a propriedades símbolos do sistema capitalista, mas acabaram se convertendo em atos de violência contra um ser humano especifico, que por mais que porte um uniforme não pode ser subtraído de sua condição humana.
Um movimento verdadeiramente libertário pode ter como inimigo o Estado, mas nunca um ser humano especifico, ainda que agente deste Estado. Se não agir assim, perde em termos de ganho civilizatório, pondo-se no mesmo papel do fascismo e outras formas de retrocesso da civilização democrática.
Quem adota valores democráticos repudia, no interior do jogo democrático, agressões a pessoas. A violência neste caso não pode ser tida como legítima defesa contra o Estado.
Se esse Estado tem estrutura de legalidade democrática, a violência contra pessoas não pode ser tida como forma de reação legitima, pois perde em proporcionalidade ética.
Quando esta violência extrema é praticada por um punhado de pessoas, comprometendo a imagem de um movimento social mais amplo face a maioria da população, estes atos servem mais ao poder constituído em sua sanha de criminalizar a oposição social do que a qualquer conquista libertária pretendida.
O risco do agente de um ato político de desobediência civil numa sociedade democrática é esse mesmo: ser julgado por seus resultados e não por suas intenções subjetivas. Esse é um juízo político legítimo, pois nem toda desobediência é libertaria. Em especial, quando praticada no interior de um sistema de legalidade minimamente democrática.
Como resultado da conduta recente dos black bloc, temos a ampliação da legitimidade social de atos de repressão contra o movimento social. Tratou-se portanto de um movimento de desobediência redutor de direitos e ampliador da potência repressiva do Estado.
Pouco importam as intenções políticas desse movimento de desobediência, se anarquista socialista, anarco-capitalista ou de direita. Seus resultados são fascistas. Assim se tornaram. Que seus agentes repensem criticamente seu caminho, em favor da cidadania, dos movimentos sociais e das liberdades humanas em nosso pais.
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